Gurgel começou com os mini-carros para criança. E agora cuidado para não confudir com os micro-carros, veículos com 3 ou 4 rodas e motores de até 500cc, destinados ao uso urbano, e que Gurgel também fez.

Gurgel gostava e andava de kart. Quando fundou em 1958 a Moplast, pioneira em placas luminosas de acrilico no país, fabricava no segundo andar da empresa mini-carros para crianças e karts de competição, com os quais ganhou muitas corridas entre 1961 e 1964, tendo como pilotos José Carlos Pace e Wilsinho e Emerson Fittipaldi . Como os custos das competições eram muito alto e o retorno baixo (os karts que ganhavam as corridas eram vendidos para minimizar as perdas), ele dizia que ganhava dinheiro num andar e perdia no outro. Os Mokarts SS foram os primeiros carros 100% Gurgel, pois inclusive o motor era projetado e construído por ele, que não se contentava apenas com a construção. Ele só abandonou o volante dos velozes karts à pedido de sua esposa, depois que seu primeiro filho nasceu. (CALDEIRA,2004, pág 35),











Lá vamos nós em mais um problema com nomes. O Gurgel Jr. ora aparece como um kart, ora como um mini-carro. Com certeza esse, de 1960, é um kart. Qual a diferença ? É só andar num kart que você vai perceber que eles não são exatamente "brinquedinhos". Aliás, a própria Gurgel faz essa distinção (pág.1).









O Gurgel II (veja outra foto) , para duas pessoas, mostrado como um micro-carro na revista Mecânica Popular em 1962, tinha um motor de 10 HP que alcançava 95 km/h e um sistema de transmissão por polias variáveis. O carro teria sido exibido nesse mesmo ano no II Salão do Automóvel.

Aqui as coisas ficam confusas, tanto que essas informações podem ser vistas também na seção "protótipos". A Quatro Rodas de janeiro de 1964 faz a primeira menção que localizei sobre o Sebastião. Ao longo do tempo o projeto foi chamado de Sebastião, Bastião, Tião, uma pista da relação emocional entre criador e criatura. A revista descreve o Bastião como um utilitário de 350 quilos, suspensão independente nas quatro rodas, tração positiva e um motor de 12 cavalos refrigerado a ar. Nessa mesma matéria é citado o Gurgel, veículo misto de jipe e carro pequeno já testado pela revista. Tanto o Tião como o Gurgel são micro-carros que de acordo com a revista estavam em fase de pré-venda.
Os nomes mudam, se repetem, mudam de novo, mas pela descrição feita pela Mecânica Popular de maio de 65 o carro é o mesmo. Descrito como uma perua, o carro testado pela revista era oferecido em quatro versões: perua de dois lugares, sedan, veículo de entregas (que já estaria a venda) e uma versão rural, com entre-eixos maior. Infelizmente me falta a primeira página do artigo, não havendo fotos de tais carros. Em compensação aparece o Gurgel (lembrando vagamente um Corvette) e o Gurgel Jr, um kart.
O Gurgel é descrito tendo motor de 18 H.P. , 2 cilindros, 2 tempos, refrigerado a ar, suspensão independente nas 4 rodas, direção com regulagem de altura, 3,0 metros de comprimento e 1,42 de largura. Mas o mais interessante são as menções a dois sistemas de câmbio, um automático e outro semi-automático.

Uma curiosidade. Na página 30 dessa revista fala-se de um carro semelhante ao Gurgel Jr., feito sob encomenda para que o sr. Angelo Moscato, paraplégico de Barra Bonita (interior de SP), se locomovesse de casa até sua loja.


A mesma revista , na sua edição de janeiro de 1966, nos apresenta o G-400, ao que parece o mesmíssimo carro,com as mesmas especificações e dessa vez com fotos. Outro registro importante nessa matéria é os dados do Gurgel Jr. : motor quatro tempos refrigerado à ar de 3 HP, 210 cm de comprimento e 105 cm de largura, chassis tubular e freio nas rodas traseiras. Esse seria o carro distribuido numa promoção do refrigerante Cerejinha

Em 1966 (provavelmente antes) havia também uma réplica do Karmann-Ghia (veja fotos, matérias e folheto), que foi usada na promoção do Toddy. Esse carro foi, com certeza, exportado para a Alemanha e provavelmente para os Estados Unidos.