Gurgel era um engenheiro que botava a mão na massa. Sua cabeça fervilhava de idéias e nunca teve medo de experimentar. A quantidade protótipos e carros
de testes é grande. Como a idéia central é buscar uma história "foucaultiana", essa seção reúne os protótipos que não geraram produtos de produção. Os
outros protótipos estão junto com seus modelos de linha.
Sem levar em conta os triciclos que ele montava quando criança, a primeira criação da qual tenho ciência é o Hidroplano de 1947 (CALDEIRA, 2004, p.24-25).
Com certeza navegava, como prova o registro fotográfico abaixo.
Onze anos depois, já na Ford do Brasil, ele demonstra bem duas características marcantes de sua personalidade: sua capacidade de realização
e seu temperamento forte. Durante uma reunião do GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) no dia 5 de junho de 1958, Gurgel
então funcionário da Ford, interrompe a reunião aformando ter algo importante para apresentar-lhes. Todos entram num veículo estacionado em frente ao
prédio, que dá uma volta no quarteirão e para no mesmo lugar. O tal veículo tinha sido montado sobre o chassi da pick-up Ford e deveria convencer os
diretores da viabilidade de se produzir um automóvel. Após uma discussão com um diretor da Ford, contrário ao projeto, Gurgel pede demissão
(CALDEIRA, 2004, p.33). Infelizmente não encontrei registro de tal
veículo em nenhum outro lugar.
O grande sonho do Gurgel foi o carro popular brasileiro, tornado realidade com o BR800. A
Quatro Rodas de janeiro de 1964 faz a primeira menção que
localizei sobre o Sebastião. Ao longo do tempo o projeto foi chamado de Sebastião, Bastião, Tião, uma pista da relação emocional entre
criador e criatura. A revista descreve o Bastião como um utilitário de 350 quilos, suspensão independente nas quatro rodas, tração positiva e um motor
de 12 cavalos refrigerado a ar.
Nessa mesma matéria é citado o Gurgel, veículo misto de jipe e carro pequeno já testado pela revista.
Os nomes mudam, se repetem, mudam de novo, mas pela descrição feita pela
Mecânica Popular de maio de 65 o carro é o mesmo. Descrito como uma perua, o carro testado pela revista era oferecido em quatro versões: perua de dois
lugares, sedan, veículo de entregas (que já estaria a venda) e uma versão rural, com entre-eixos maior. Infelizmente me falta a primeira página do artigo,
não havendo fotos de tais carros. Em compensação aparece o Gurgel (lembrando vagamente um Corvette) e o
Gurgel Jr, um kart.
Voltando aos carros, eles são descritos como tendo motor de 18 H.P. , 2 cilindros, 2 tempos, refrigerado a ar, suspensão independente nas 4 rodas,
direção com regulagem de altura e 3,0 metros de comprimento e 1,42 de largura. Mas o mais interessante são as menções a dois sistemas de câmbio, um
automático e outro semi-automático.
A mesma revista , na sua edição de janeiro de 1966, nos apresenta o G-400, ao que parece, o mesmíssimo carro,com as mesmas especificações e dessa vez com
fotos.
Transamazônica, Tran-Am, Transa...
a saga de muitos nomes para um mesmo veículo continua. O Transa foi um anfíbio com tração nas seis rodas, um verdadeiro
QT (Qualquer Terreno) . Se algum chegou a navegar, não sei.
O GTA - Gran Turismo Articulado - consistia de um pequeno veículo
para 3 pessoas onde era acoplado um "porta-malas" dotado de eixo. A idéia era só acoplar a parte traseira quando realmente necessário, tendo-se assim dois
veículos em um.