Gurgel teve boas idéias e algumas questionáveis, como o XEF. Nenhum micro carro vingou no país e mesmo os pequenos não faziam sucesso. Brasileiro gostava de carro grande e nos anos 80 o que fazia sucesso
eram as pick-ups transformadas. Carros com três lugares não eram novidade, mas alguém se lembra de um três volumes desse tamanho ?
O gosto do brasileiro começava a mudar. Nos anos 80 o Fiat Uno ia se tornar o primeiro carro pequeno de sucesso no país e abrir caminho para outros modelos.
Antes dele, o 147 da mesma marca não tinha sido um fracasso mas também não foi um campeão de vendas. Carros de três lugares não eram novidade, Alldays 1905,
Mathis 1920, Peugeot Type 172R 1925, e até mesmo a Ferrari com a 365 dos anos 60. No caso da Gurgel, os três lugares eram por que de acordo com ele, a média
pessoas em cada carro era um pouco menos que 3 pessoas por carro.
A Quatro Rodas de dezembro de 82 logo no começo dos testes do G-800
e X-12, informa que a Gurgel está preparando um mini carro, o Gurgel XEF.
A mesma revista em março de 1983
apresentou o "carro para executivos" (p.24) da Gurgel, sem ar-condionado, com o barulhento motor VW boxer e custando uma pequena fortuna.
Não tinha como ser um sucesso de vendas. Evolução do GTA , o XEF
tem 3,12 metros de comprimento, 1,60 de largura e apenas 1,35 de altura e foi desenhado como uma pequena Mercedes. Lanternas traseiras e aros são cópias e
muito do desenho da carroceria foi inspirado na marca alemã. Atrás dos bancos há um bom espaço para cargas, mas de difícil acesso (somente pelas portas
dianteiras), o volante está muito à direita em relação a posição do motorista, que senta rente ao chão (como nos Miuras) e o banco duplo dos passageiros é
um tanto apertado. Mas o acabamento interno é muito bom e o carro tem um painel bem completo, com relógio, vacuômetro, conta-giros e
pressão do óleo. Mas não tinha temporizador para o limpador de para-brisas. O protótipo testado, que a revista diz erradamente ser o primeiro,
tem o janela traseira redonda, o que seria modificado logo. Com o câmbio do VW 1300 e rodas aros 13, a relação final ficou muito curta e dois diferenciais
mais longos (4,125:1 e 3,875:1) seriam testados antes de se escolher o definitivo.
E não podemos esquecer de contar a história do nome do carro. Ao ser perguntada de quem era o carro, a filha do Gurgel respondeu: É do chefe ! E como um
executivo é um chefe, o nome ficou.
Em agosto de 1983 a Motor 3 testa o XEF, confirma sua descedência do GTA de 1979 e dá medidas diferentes para o carro: 3,12 metros de comrimento, 1,72 de
largura e 1,30 de altura e 800 quilos. O modelo testado é a versão difinitiva, apresentado em novembro daquele ano, com a janela traseira maior e outros pequenos
detalhes na carroceria e motores a álcool ou gasolina e com o diferencial um pouco mais longo que o da Quatro Rodas (4,125:1).
Em dezembro a Quatro Rodas
volta a testar o XEF e cita pela primeira vez o tanque de plástico do carro. Com vidros elétricos e um volante diferente, ainda não é um carro de luxo,
o ar-condicinado e uma suspensão mais macia são só promessas (p.50) e a garantia é de 30 mil km ou um ano, mais a garantia do chassi de 100 mil km ou 5 anos.
O teste traz algumas informações interessantes. Cada unidade vendida representava um prejuízo de Cr$ 2 milhões, sendo necesários vender 100 unidades por
mês para se começar a obter lucro. A outra informação é a utilização do Central de Testes da Quatro Rodas no desenvolvimento do XEF e do Miura.
Em abril de 1984 a Motor 3 testou novamente o XEF, relatando muitos
elogios das pesoas nas ruas e salientando os pontos positivos do carro: exclusividade, fofura (?), beleza, o resistente chassi Plasteel "a não ser que uma
Scania passe por cima, para todos os efeitos, indestrutível" (p.34) e a assistência técnica dada pela rede Volkswagen, uma parceria antiga. Nos pontos
negativos nenhuma surpresa: os bancos desconfortáveis, falta de ventilação eficiente, posicionamento melhor do volante e pedais, espelho externo direito e
espaço para carregar objetos. Espaço até que o carrinho tem, atrás dos bancos, mas como nos primeiros BR-800, o acesso é só pelas portas dianteiras, dificultando
a utilização de um espaço, nos dois carros, muito bom. De resto, o teste mostra muito bem porquê o carro não foi um sucesso de vendas. Além dos problmas já citados,
portas pesadas (e bota pesado nisso!), suspensão dura (e de pouco curso), excesso de barulho e vibração... e claro, o preço semelhante a de um Escort Ghia,
Passat GTS ou DOIS Chevettes. Ao final do teste, há uma análise mais detalhada dos problemas do carrinho feita pelo designer Celso Lamas (Dodge).
O catálogo de setembro de 1984 reproduzido no livro Gurgel: um sonho forjado em fibra,
apresenta o XEF como "Um grande carro na medida certa" (p.143), equipado com dupla carburação (simples opcional na gasolina) , rodas de liga leve, vidros
elétricos, rádio toca-fitas AM/FM e pintura metálica e a suspensão traseira seguia a mesma configuração dos jipes, com molas helicoidais.
Interessante no catálogo é a informação de que os valores de potência e torque do motor foram obtidas pela NBR 5484, bem brasileira, nada de SAE (americana) ou DIN
(alemã) e a lista de modificações do carro em relação ao modelo anterior: grade dianteira (que acompanhará o modelo até o fim da produção), novas molas e
reposicionamento do amortecedor na suspensão traseira, rádio e opção de banco inteiriço ou separado motorista/passageiros.
O catálogo de 1986, último ano de produção, não traz nenhuma novidade.
E vamos para os "fantasmas". Além dos dois protótipos mostrados lá em cima, o de porta quadrada e sem vidros traseiros e o de janela redonda testado pela
Quatro Rodas, ainda há três XEFs diferentes. Dois foram fotografados na fábrica, o vermelho com o vidro traseiro menor e o prata com teto targa.
As fotos foram obtidas na inernet, sem créditos, se o autor as reconhecer, favor avisar. O terceiro é o carro que apareceu na
Em 2005 o colega Paulo do Forum Gurgel Brasil nos repassou informações que tinha obtido na Anfavea :
Quer ver o de chassi XEF0001 ?