Gurgel começou com os mini-carros para criança e karts, fez micro-carros e foi uma das sensações do Salão do Automóvel de 1966 com o Gurgel 1200 Ipanema. O Gurgel 1200 virou QT e foi parar nas fazendas de São Paulo, onde sua suspensão e chassis Volkswagen (do Sedan, encurtado) sofriam muito com o esforço prolongado. E surge o Plasteel.

Em 1971 já havia um modelo chamado Xavante, com características próprias, não uma versão do Gurgel dos anos 60. A Quatro Rodas recebeu a primeira unidade construída em fins de 1971, um Xavante XT com marcas do "sofrimento" dos testes realizados na restinga de Marambaia e Gericinó pelo Exército e Aeronáutica. Apesar de baseado no QT, o XT dividia com ele apenas o conjunto motriz, freios e linhas básicas da carroceria. O chassis era de tubos de aço revestido de plástico reforçado com fibra-de-vidro, o Plasteel, e as suspensões foram modificadas. Na frente mudou apenas o ponto de ancoragem, que do meio passou para as extremidades, uma solução simples e que eliminou uma enorme alavanca, responsável por danos no "chapéu-de-Napoleão" dos Fuscas. A traseira era toda nova: molas helicoidais e tirantes longitudinais. Com pneus de desenho agressivo 6,40 ou 5,60, ambos aro 15, somados ao Selectration, uma boa altura do solo proteção de aço para motor e suspensões e um fundo liso, o carro passa por lugares onde mesmo um Jeep teria dificuldades.
O Selectraction foi outra solução simples e eficiente do Gurgel, um freio-de-mão com alavancas separadas para cada roda traseira, permitindo que o motorista trave a roda que estiver girando em falso, transmitindo a tração para outra roda. Essa simples alavanca permite até hoje que os jipes Gurgel dispensem a tração integral. Apesar do quê... tem um XT perto de você ? Se abaixe e olhe o eixo dianteiro e repare no espaço previsto no projeto para o diferencial dianteiro. Mas pelo que sei, nunca foi produzido, nem protótipos.

Em 1973 a revista volta a testar o carro, que podia ser encomendado na versão XTR, com portas maiores, garantia da VW para o conjunto motriz (motor e caixa) e alguns acessórios: capota rígida, correntes e caçamba. De qualquer modo, quanhou um "ótimo" em desempenho, motor e suspensão. A matéria também fala na aprovação em testes do Exército, Aeronáutica e Petrobras, mas não fala em compra.

Havia o Xavante XT-74 com certeza, modelo que conviveu com os primeiros XTC (p.92) . Quando a Quatro Rodas testou o Xavante X-10 em julho de 1975, não há menção a nenhum outro modelo da marca. Acredito que 1974 tenha sido o último ano do XT / XTR.

Quer ver um XTR 1974?

Veja os prospectos dos modelos 1972 e 1973 e repare na lista de itens de série do carro. Outra época com certeza.